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Mercado de TI no Brasil cresce 18,5% e força operadoras a migrar para serviços digitais B2B

Publicada em: 06/04/2026 14:13 -

O mercado de TI no Brasil cresce acima das previsões e força uma reconfiguração estrutural nas operadoras de telecomunicações. A receita, que tradicionalmente vinha da conexão, passa agora a depender de soluções digitais voltadas para empresas. Esse deslocamento já redefine contratos, parcerias e investimentos no setor, reposicionando as teles na disputa por dados, nuvem e inteligência artificial.

O avanço de 18,5% em 2025 — quase o dobro da estimativa inicial — colocou o país acima da média global e ampliou a pressão competitiva. Empresas de todos os portes passaram a demandar computação em nuvem, cibersegurança, inteligência artificial (IA) e internet das coisas (IoT), alterando profundamente o perfil de consumo. Ao mesmo tempo, a base tradicional de telefonia e banda larga se aproxima da saturação. A transição, contudo, revela um novo campo de disputa.


TIM, Vivo e Claro: cada operadora busca seu caminho digital

TIM já captura esse deslocamento ao gerar R$ 1 bilhão com IoT corporativa, conectando áreas estratégicas como agronegócio, mineração e infraestrutura. O passo seguinte da empresa envolve monetizar dados com análise preditiva e plataformas digitais apoiadas em inteligência artificial.

Na Telefônica Brasil, dona da Vivo, o dado mais revelador está na penetração: apenas 15% da base empresarial consome serviços além da conectividade. Ainda assim, a companhia já faturou R$ 5,2 bilhões com soluções digitais, incluindo cloud computing, segurança digital e gestão de dados. Para além da receita imediata, esse gap indica um espaço ainda pouco explorado.

Claro segue estratégia semelhante ao reposicionar a Embratel como Claro Empresas e integrar machine learning, IA generativa e computação de alto desempenho por meio de parcerias com Nvidia e Oracle. A estrutura interna será o primeiro campo de teste antes da oferta ao mercado. Esse desenho operacional, porém, aponta para outro vetor competitivo.


Entrada de novos players amplia pressão sobre infraestrutura digital

A chegada da Singtel ao Brasil — focada exclusivamente no segmento corporativo — adiciona um novo nível de concorrência. Com atuação global e modelo de network-as-a-service, a empresa oferece acesso sob demanda à infraestrutura digital, sem necessidade de investimento próprio por parte dos clientes.

O movimento acirra a disputa em um mercado que já não cabe apenas às teles tradicionais.


Cenário global e o futuro do setor

Segundo a consultoria Omdia, mais de 70% das operadoras globais ampliaram receitas no segmento empresarial, consolidando o B2B como principal vetor de expansão. Já a Alvarez & Marsal aponta que a conectividade isolada perdeu capacidade de crescimento, exigindo novas fontes de monetização.

Para além da disputa por contratos, o cenário revela uma mudança estrutural no setor. O que emerge não é apenas uma diversificação de portfólio, mas uma redefinição do papel das teles na cadeia digital. Elas deixam de ser meras fornecedoras de acesso e passam a disputar espaço como integradoras de tecnologia, competindo diretamente com empresas de software e nuvem.

No médio prazo, a expansão do mercado de TI no Brasil tende a concentrar valor em quem conseguir combinar infraestrutura, dados e serviços digitais em uma única oferta. A consequência direta é uma disputa menos visível, mas mais profunda: não pela rede, mas pelo controle da camada tecnológica que sustenta toda a economia digital.


Broto News
Foto e informações de Flávia Lifonsino
Jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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