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A camisa suada e a alma de Paraguaçu: O Bradesco dos anos 80

Publicada em: 15/05/2026 15:27 -

“Saudade do tempo em que o Bradesco entrava em campo nos domingos dos anos 80… era mais que futebol de várzea, era amizade, paixão e história sendo escrita nos campos de Paraguaçu Paulista.”

Essa frase parece ter saído do peito de quem viveu cada domingo como se fosse final de campeonato. E, para quem conhece a história do futebol amador de Paraguaçu Paulista, ela resume um sentimento que vai muito além das quatro linhas.

O ano é 1983. A pelota ainda era de couro verdadeiro, as chuteiras precisavam ser amaciadas com água e os gramados... bem, os gramados eram caprichados na base da enxada e do carinho. Em Paraguaçu Paulista, o Bradesco Futebol Clube não era apenas um time de várzea: era uma família vestida de azul e branco (ou as cores que o uniforme do banco permitisse). Era o encontro marcado do trabalhador que, durante a semana, lidava com números e contas, mas no domingo virava craque, beque durão ou goleiro de personalidade.

Na foto que o tempo insiste em amarelar, mas que o acervo de Paulo James preserva com a precisão de quem sabe o valor de um clique, vemos a tropa de 1983 posar com a dignidade de quem acabou de suar a camisa.

Em pé, a espinha dorsal do time:
Wilson, Aguinaldo, Mondini e Rancharia — nomes que ecoavam nas arquibancadas improvisadas. Ao lado, Valdir e Pena, pilares de uma equipe que não se entregava fácil.

Agachados, a genialidade e a raça na linha de frente:
Chico Carlos, Gil Tranquilino, Aldo, Tuquinha, Tonho, Ivan e Jurandir. Meninos-homens que trocavam o expediente do sábado pelo espetáculo do domingo. Cada um levava na canela a marca de um carrinho bem dado e no peito o orgulho de representar o Bradesco.

Eles não jogavam por patrocínio milionário ou por holofotes de TV. Jogavam porque o futebol era a ponte entre o trabalho e a alma. Os gols eram comemorados no boteco da esquina, as defesas viravam causos pra semana inteira, e as derrotas — que também existiam — eram amenizadas na roda de amigos, com direito a muita conversa e um refresco no final da tarde.

Hoje, olhando a foto, o que fica não é apenas a saudade de um time. Fica a saudade de um tempo em que o futebol era, acima de tudo, um ato de amor. E o Bradesco de 1983, com seus Wilson, Mondini, Chico Carlos, Aldo e tantos outros, foi um desses atos que o interior de São Paulo nunca esqueceu.

Eternizada no acervo de Paulo James, a memória segue viva. Como a bola rolando em algum campo de várzea, eternamente, todo domingo.

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