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Etanol perde força em boa parte do país, mas ainda é vantajoso em 7 estados e no DF

Publicada em: 18/05/2026 11:17 -

O motorista que abastece com etanol encontrou um cenário menos favorável na semana passada. De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilado pelo AE-Taxas, o biocombustível era competitivo em relação à gasolina em apenas sete estados e no Distrito Federal — número inferior ao registrado em semanas anteriores, quando a vantagem do derivado da cana se espalhava por mais regiões.

Na média dos postos pesquisados em todo o Brasil, a paridade entre os dois combustíveis ficou em 65,77%, percentual que ainda indica vantagem para o etanol. A regra tradicionalmente adotada pelo mercado é que, sempre que o valor do biocombustível corresponde a menos de 70% do preço da gasolina, vale mais a pena abastecer com etanol, considerando a eficiência energética do produto nos motores de ciclo Otto.

Onde o etanol ainda compensa

Os estados onde a conta fechou a favor do biocombustível foram:

  • Mato Grosso: 64,28%

  • Mato Grosso do Sul: 65,34%

  • São Paulo: 66,62%

  • Paraná: 66,81%

  • Distrito Federal: 68,64%

  • Goiás: 68,80%

  • Minas Gerais: 69,87%

  • Bahia: 69,92%

Mato Grosso lidera o ranking de competitividade, com a paridade mais baixa, enquanto a Bahia aparece no limite da faixa considerada vantajosa.

Nem só de 70% se faz a conta

Executivos do setor sucroenergético ouvidos pela reportagem fazem, no entanto, uma ressalva importante: a regra dos 70% não é absoluta. A competitividade do etanol pode se dar mesmo com paridade superior a esse patamar, a depender do tipo de veículo e da tecnologia do motor.

Carros flex mais modernos, com motores de maior taxa de compressão ou calibrados para explorar melhor as propriedades do etanol, conseguem extrair rendimento próximo ou até equivalente ao da gasolina, o que eleva o ponto de equilíbrio para até 73% ou 75% em alguns casos. Por outro lado, modelos mais antigos ou com manutenção inadequada podem perder eficiência, reduzindo a vantagem do biocombustível.

O alerta serve para o consumidor: antes de decidir pelo combustível, vale acompanhar os preços locais e, se possível, testar o desempenho do próprio veículo, já que a eficiência energética do etanol não é exatamente igual para todos os carros.

Cenário de curto prazo

A oscilação na competitividade reflete, em parte, as variações nos preços da gasolina nas refinarias e a dinâmica de oferta e demanda do etanol, influenciada pela safra de cana-de-açúcar e pelo comportamento dos estoques. Com o avanço da colheita nas regiões Centro-Sul, analistas esperam pressão de baixa nos preços do biocombustível nos próximos meses, o que pode ampliar novamente o leque de estados onde compensa abastecer com etanol.

Enquanto isso, o motorista de São Paulo, Minas Gerais e Paraná — tradicionais polos de produção canavieira — ainda encontra vantagem na bomba, mas o consumidor do Nordeste, Norte e de parte do Centro-Oeste segue refém da gasolina.

Com informações do AE-Taxas, com dados da ANP

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