
O Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo (TJ-SP) negou o recurso e manteve a condenação por injúria
racial de uma rede de farmácias ao pagamento de R$ 15 mil por danos morais à
cozinheira Regiane Rosa, que teve sua bolsa revistada após comprar medicamentos
em uma unidade da rede em Bauru (SP).
A decisão foi publicada pela 30ª Câmara de
Direito Privado do TJ-SP no dia 28 de fevereiro e confirma a sentença da 6ª
Vara Cível de Bauru.
Em nota a reportagem, a
Rede de Farmácias Nissei disse que possui como um dos seus principais valores o
respeito e que repudia qualquer tipo de discriminação e atitudes
preconceituosas.
Relembre o caso
O caso aconteceu no dia
20 de maio de 2022. A unidade da loja, que ficava na Avenida Duque de Caxias,
foi desativada.
Regiane registrou um
boletim de ocorrência e afirmou ter sofrido injúria racial. No entanto, o caso
foi registrado como de natureza não criminal e não teve andamento na esfera
penal.
Na época do ocorrido, a
denúncia gerou um protesto em frente à farmácia, reunindo aproximadamente 25
pessoas. Em janeiro de 2023, a cozinheira ingressou com uma ação de indenização
por danos morais, representada pelo advogado Tiago Sousa.
No boletim de
ocorrência, Regiane relatou que fazia compras no local quando, por duas vezes,
um funcionário se aproximou para perguntar se ela precisava de ajuda. Depois de
pagar pelos remédios, foi abordada na porta pelo gerente e pelo mesmo
funcionário, que pediram para revistar sua bolsa.
Em entrevista a nossa reportagem,
Regiane comemorou a vitória em segunda instância. Ela destacou que, mais do que
a indenização financeira, espera que a empresa invista na capacitação de seus
funcionários.
"Não é pelo
dinheiro, mas para que eles aprendam a treinar seus funcionários sobre como
atender os clientes", disse.
Regiane afirma que,
mesmo após quase três anos, ainda se sente constrangida, mas a situação abriu
seus olhos para práticas de injúria racial que passam despercebidas no dia a
dia.
"É triste demais
você comprar, pagar e sair como ladra. Me pediram para abrir a bolsa porque os
produtos da loja 'poderiam ter caído' dentro dela. Todo mundo passou pela
porta, ninguém foi revistado, só eu tive que abrir", afirmou.
"Nunca tinha
passado por isso. Sempre senti muito por quem passou, mas nunca vivi na pele.
Hoje, aprendi a prestar mais atenção, a perceber como essas situações
acontecem. A dor que senti naquele momento não desejo para ninguém. Venci mais
uma batalha", completou.
g1 Bauru e Marília